F1 – Juiz suspende temporariamente contrato do GP de São Paulo para “averiguações”
terça-feira, 12 de janeiro de 2021 às 17:19
GP do Brasil de 2019 de Formula 1
O acordo entre a Fórmula 1 e o novo promotor do Grande Prêmio de São Paulo em Interlagos enfrenta um obstáculo depois que um juiz interveio e suspendeu temporariamente o contrato.
A decisão resulta de uma contestação judicial quanto ao uso de dinheiro público para garantir a disputa e ao nível de transparência do negócio.
Em dezembro, foi anunciado que o então CEO da F1, Chase Carey, havia assinado um contrato de cinco anos com um novo promotor, e a corrida não seria mais conhecida como GP do Brasil.
O acordo anterior, firmado com Bernie Ecclestone, deixou a F1 sem receber nenhuma taxa nos últimos anos. Esse acordo terminou em 2020, embora não tenha havido a corrida no ano passado devido ao seu cancelamento em meio à pandemia COVID-19.
Depois que os planos para uma corrida em um novo circuito proposto no Rio obviamente não deram certo, Carey optou por manter a F1 em Interlagos, mas com um promotor diferente.
Um acordo foi acertado para a corrida ser disputada por uma empresa recém-formada chamada Brazil Motorsport, que é apoiada pelo governo de Abu Dhabi por meio de seu braço de investimentos Mubadala.
O Brazil Motorsport é comandado pelo ex-competidor olímpico de vela Alan Adler, que há muito tempo está envolvido na promoção de grandes eventos no Brasil, incluindo shows de rock, shows do Cirque du Soleil, torneios PGA e jogos de pré-temporada da NBA.
A mudança do nome para GP de São Paulo reflete um novo nível de apoio da cidade, que foi fundamental para o novo negócio.
O apoio financeiro da cidade de São Paulo posteriormente ficou claro em documentos legais que revelaram quanto a cidade está pagando, ou seja, USD 20 milhões por ano durante os cinco anos do negócio. É o menor valor entre todas as pistas do calendário, exceto Monaco, que nunca pagou pela corrida.
De acordo com a prefeitura e o estado, a realização do GP de Fórmula 1 em São Paulo retorna mais de R$ 500 milhões em impostos na semana da corrida, a maioria proveniente de hotéis, restaurantes, bares, comércio em geral e transporte. Além disso, gera milhares de empregos e impostos temporários nas empresas que trabalham para que a corrida possa ser realizada nos padrões exigidos pela F1 e pela FIA.
A conta é simples: a cidade investe um valor bastante baixo para um evento desse porte; ou seja, R$ 100 milhões e recebe de volta 5 vezes mais, cerca de 500 milhões.
Anteriormente, como Ecclestone fez um acordo temporário no qual a cidade não pagava nada, o apoio público se estendia apenas ao pagamento das reformas do recinto de Interlagos.
Com as informações financeiras agora reveladas, o contrato foi contestado(?) por uma petição pública.
A ação foi apoiada pelo conselheiro e advogado local Rubens Nunes, que escreveu no Twitter: “A F1 é importante para São Paulo e para o Brasil – sou um torcedor – mas isso não autoriza a prefeitura a fechar contratos sem licitação, em sigilo e com uma empresa sem ‘expertise’ na área, criada há poucos dias para isso.”
O contrato está suspenso pelo juiz Emílio Migliano Neto, enquanto se aguarda novas investigações.
“Os fatos revelam sem dúvida, pelo menos nesta fase, que os princípios da publicidade e da transparência estão sendo violados de forma explícita”, observou o juiz.
“Por esse motivo também e também pela ausência de licitação, há a necessidade de suspender a execução do contrato, para avaliar se houve efetivamente recursos para cobrir as despesas detalhadas no convênio firmado”.
As autoridades paulistas têm cinco dias para apresentar os documentos pertinentes.
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